31 de agosto de 2026 01:50

SpaceX lança no espaço telescópio da Nasa que vai rastrear a energia escura e exoplanetas

Avaliado em US$ 4,3 bilhões, o Nancy Grace Roman inicia missão que deve durar até dez anos

 


 

 

O telescópio de US$ 4,3 bilhões da Nasa foi lançado ao espaço neste domingo, marcando o início de uma missão de cinco a dez anos projetada para desvendar mistérios ainda não respondidos, como a energia escura e a matéria escura.

Instalado no topo do potente foguete Falcon Heavy, da SpaceX, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman decolou às 7h26 no horário local, em Cabo Canaveral, na Flórida. O lançamento coloca a espaçonave a caminho de seu destino final, uma órbita a cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra, de onde deve começar a observar o céu já em dezembro.

O Roman foi desenhado especificamente para buscar algumas das forças mais intrigantes e misteriosas do universo. Vai estudar, sobretudo, a matéria escura e a energia escura, um tipo de material e uma força que, acredita-se, permeiam o cosmos, mas que os cientistas nunca conseguiram enxergar diretamente.

O telescópio tentará catalogar como a matéria e a energia escuras moldam estrelas e galáxias distantes, além de ajudar os pesquisadores a responder perguntas fundamentais sobre a expansão do universo.

— Pode haver algo fundamentalmente ausente na física como a entendemos, e o Roman tem o potencial de lançar luz sobre isso — disse Kristen McQuinn, chefe do escritório da missão do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman no Space Telescope Science Institute, antes do lançamento. — Ele tem a capacidade de medir essa energia escura, essa força misteriosa, desde o começo do universo.

A espaçonave também está especialmente equipada para procurar exoplanetas, ou seja, aqueles que orbitam outras estrelas fora do Sistema Solar. Os cientistas esperam que o telescópio encontre mundos parecidos com a Terra, na tentativa de determinar se a vida poderia sobreviver em outros lugares.

Homenagem

 

O nome do telescópio é uma homenagem à astrônoma americana Nancy Grace Roman, frequentemente chamada de “mãe do Hubble”, em referência ao Telescópio Espacial Hubble, em órbita da Terra desde 1990. Ela foi a primeira astrônoma-chefe da Nasa e também a primeira mulher a ocupar um cargo executivo na agência.

O Roman tem um espelho de tamanho semelhante ao do Hubble para captar luz, mas conta com uma nova e impressionante câmera de campo largo, que lhe permitirá enxergar um campo de visão cem vezes maior que o do antecessor. A espaçonave também é capaz de varrer o céu mais rapidamente que os telescópios anteriores.

— Ele consegue mapear o céu cerca de mil vezes mais rápido que o Hubble — afirmou McQuinn. — Ou, invertendo o raciocínio, a cada dez meses teremos o equivalente a aproximadamente mil anos de dados do Hubble.

Fonte: O Globo