5 de junho de 2026 15:03

YouTube ultrapassa a Netflix no tempo médio de consumo diário em todo o mundo

“O YouTube é televisão”. A evolução da plataforma detida pela Alphabet é uma das transformações mais marcantes da década no setor dos media, dizem analistas do setor

 

 

 


 

 

O YouTube ultrapassou a Netflix no tempo médio de visionamento diário entre os utilizadores de todo o mundo, segundo uma análise citada pelo The Guardian, que revela o crescente peso mediático da plataforma digital.

A forte transição para o consumo de YouTube na televisão que se registou nos últimos anos alimentou uma rivalidade cada vez maior entre as principais plataformas digitais e de streaming do mundo, diz o jornal britânico.

“O YouTube já não é apenas vídeos de gatos”, afirmou recentemente Ted Sarandos, codiretor executivo da Netflix. “O YouTube é televisão“.

A utilização média diária do YouTube subiu de 87,2 minutos em 2024 para 99,1 minutos em 2025, de acordo com a análise realizada pela agência Digital i em 20 mercados internacionais. O valor da Netflix caiu de 100,5 para 93,4 minutos.

A passagem do YouTube dos portáteis e dos telemóveis para a televisão também acelerou no ano passado. A quota da televisão no tempo de visionamento do YouTube subiu de 28% para 35% entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025, ao passo que o consumo em dispositivos móveis recuou de 35% para 31%.

A própria Netflix é uma enorme força no YouTube. O seu canal oficial registou o maior alcance de todos os canais no ano passado, chegando a 78,2 milhões de contas únicas. Inclui episódios completos da série “Our Planet“, narrada por David Attenborough.

Ambas as plataformas têm invadido o território uma da outra nos últimos meses. O YouTube, propriedade da Alphabet, empresa-mãe da Google, procurou consolidar o seu crescente sucesso televisivo com incursões em áreas tradicionalmente abrangidas pelas redes e emissoras de televisão.

Em dezembro, adquiriu os direitos exclusivos de transmissão dos Óscares, num acordo plurianual que abrange a cobertura da passadeira vermelha e os conteúdos de bastidores, que sempre foram um elemento de referência da cobertura televisiva.

O YouTube está também a experimentar adquirir direitos desportivos, tendo transmitido o seu primeiro jogo da NFL no ano passado. O encontro arrebatou o título de transmissão em direto com maior número de espetadores em simultâneo na plataforma, com mais de 17,3 milhões de visualizações.

A Netflix tem reagido com os podcasts em vídeo, que dispararam no YouTube. Fechou um acordo com o podcast “The Rest Is Football“, de Gary Lineker, Alan Shearer e Micah Richards, para transmitir uma edição diária durante o Mundial.

A grande diferença entre estas plataformas é que, ao contrário dos serviços de streaming e das emissoras de serviço público tradicionais, como a BBC, o YouTube não encomenda conteúdos. Já tentou encomendar programas através dos projetos YouTube Red e YouTube Originals, mas acabou por encerrar ambos.

A análise da Digital i sugere que os media tradicionais começaram a “decifrar o código de alcance do YouTube”, e que alguns consegeum agora um enorme número de visualizações no site. Entre os canais de media tradicionais com melhor desempenho no YouTube estavam o “Saturday Night Live“, com 55,8 milhões de espetadores, e a Universal Pictures, com 54,6 milhões.

“A evolução do YouTube, de um serviço de vídeo social para uma plataforma global de atenção dominante, é uma das transformações mais marcantes da década no setor dos media”, afirmou Matt Ross, diretor de análise da Digital i, citado pelo The Guardian.

“Os nossos dados mostram que o público encara cada vez mais o YouTube não como uma rede social, mas como um destino primordial de entretenimento“.

A geração Z manteve-se como o grupo etário mais ativo no YouTube no ano passado, com uma média de 111 minutos por dia, mas o crescimento foi mais acentuado entre os homens dos 55 aos 64 anos, cujo consumo aumentou 15% desde 2024. A utilização média diária do YouTube cresceu igualmente entre as mulheres de todas as faixas etárias.

Dos territórios analisados, foram os sul-coreanos quem mais usou o YouTube, com 161,5 minutos por dia. A França registou o maior crescimento na utilização diária, com um aumento de um terço.

 

 

 

Fonte: Zap.aeiou