Evento começou oficialmente nesta quinta-feira (6), em Belém (PA), com a presença estimada de mais de 40 chefes de Estado e de governo
Autoridades de todo o mundo se reuniram na manhã desta sexta-feira (7) para a tradicional “foto de família” da Cúpula de Líderes da COP30, que está sendo realizada em Belém (PA).
O registro mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao centro, cercado por chefes de Estado e representantes de países convidados para o encontro.
A imagem foi feita no início do segundo dia de cúpula, evento que antecede a Conferência do Clima da ONU, marcada para ocorrer entre 10 e 21 de novembro.
O encontro pré-COP começou com a presença estimada de mais de 40 chefes de Estado e de governo e deve ocorrer até esta sexta-feira (7).
O encontro marca a abertura política da Conferência do Clima da ONU e já anunciou antes mesmo das negociações climáticas formais a confirmação de novos países investidores no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), proposta que prevê remunerar países que conservam suas florestas tropicais.
O maior aporte anunciado foi o da Noruega, que vai colocar cerca de US$ 3 bilhões. Ao todo, o fundo já tem a promessa de US$ 5,5 bilhões em investimentos.
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🌎ENTENDA: Em outras COPs, como Glasgow (2021) e Dubai (2023), as reuniões de chefes de Estado ocorreram junto à abertura oficial. Segundo a presidência da COP30, desta vez a ideia é que os líderes se encontrem antes do início formal da conferência, para liberar os negociadores e ampliar o tempo dedicado às decisões climáticas mais complexas.
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O evento, organizado pela Presidência brasileira, reúne governantes, vice-presidentes e ministros de cerca de 140 países.
Segundo o Itamaraty, a cúpula busca dar “direção política” às negociações, sem caráter deliberativo.
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“A cúpula não é deliberativa. O que é deliberativo é a COP. Não há ideia de documento final na cúpula, isso será da conferência”, explicou o embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente.
Nem todos os países, contudo, estão representados por seus chefes de Estado. Os Estados Unidos, por exemplo, não enviaram representantes políticos de alto escalão, e Donald Trump não participará do encontro.
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O que é e como vai funcionar?
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A Cúpula foi convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e organizada pela Presidência brasileira da COP30.
Em dois dias, haverá pronunciamentos na plenária e três mesas de alto nível.
Na primeira sessão, dedicada a florestas e oceanos, Lula apresentou oficialmente o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF):
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- 💼 Estrutura: O TFFF adota um modelo de fundo de investimento com gestão de carteira de renda fixa voltado ao financiamento climático.
- 💰 Captação: Pretende mobilizar cerca de R$ 625 bilhões (US$ 125 bilhões) em recursos, combinando aportes de países e fundações com emissões de títulos no mercado financeiro.
- 📈 Alavancagem: A operação utiliza uma lógica de alavancagem financeira, multiplicando o capital inicial por meio da emissão de dívida de baixo risco.
- 🏦 Aplicação: O dinheiro será aplicado em ativos globais de renda fixa, com foco em investimentos seguros e sustentáveis que gerem retorno acima do custo do fundo.
- 🔄 Distribuição: A diferença entre o rendimento obtido e o valor pago aos investidores (spread) será usada para remunerar países que preservam florestas tropicais, proporcionalmente à área conservada.
- 🌱 Critérios: Pagamento anual por hectare de floresta preservado; destinação mínima de 20% dos recursos a povos indígenas e comunidades locais; proibição de investimentos em combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás).
- 🌳 Prioridade: Foco em países com grandes áreas tropicais, como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, além de outras nações em desenvolvimento com florestas úmidas.
Já a segunda sessão, dedicada à transição energética, deve concentrar as discussões sobre metas de curto e médio prazo.
Entre os compromissos em debate estão triplicar a capacidade global de energias renováveis até 2030, duplicar a eficiência energética e consolidar o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis (Belém 4x), uma coalizão liderada por Brasil, Itália e Japão que pretende quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035.
O grupo abrange tecnologias como hidrogênio verde, biogás, biocombustíveis e combustíveis sintéticos.
Por fim, a terceira mesa fará um balanço dos dez anos do Acordo de Paris (2015–2025), avaliando o cumprimento das metas nacionais e o que deve ser incorporado nas novas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) para 2035.
O debate também abordará o financiamento climático, com destaque para o Roteiro Baku–Belém, plano apresentado pelas presidências do Azerbaijão (COP29) e do Brasil (COP30).
O documento prevê mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, com base em cinco pilares: reforçar, reequilibrar, redirecionar, reestruturar e reconfigurar o sistema financeiro climático global.






