7 de março de 2026 07:31

Trump anuncia tarifa de 50% para Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (9) que irá aplicar uma tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil. A nova alíquota entra em vigor a partir do dia 1º de agosto.

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O republicano compartilhou a notícia em carta endereçada ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na sua rede social, Truth Social. No documento, Trump atribui a cobrança, além de uma relação que diz ser injusta com o país, à postura do STF (Supremo Tribunal Federal) com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Conheci e tive contato com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei profundamente, assim como a maioria dos outros líderes mundiais. A maneira como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato — inclusive pelos Estados Unidos —, é uma desgraça internacional. Este julgamento não deveria estar acontecendo. Trata-se de uma caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!”, escreveu Trump.

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“Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra as eleições livres e os direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos (como recentemente ilustrado pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas de mídias sociais dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, os EUA imporão ao Brasil uma tarifa de 50% sobre qualquer envio de produtos brasileiros aos Estados Unidos, além de todas as tarifas setoriais.”

De uma leva de tarifas que o presidente dos EUA anunciou nesta semana, esta é a mais alta até o momento. “E isso é necessário para retificar as graves injustiças do atual regime”, ressaltou.

Trump ainda apontou que a relação comercial entre as partes é “muito injusta”, marcada por desequilíbrios gerados por “políticas tarifárias e não-tarifárias e pelas barreiras comerciais do Brasil”, e que os EUA deveriam se afastar da relação comercial de longa data.

Segundo Trump, a alíquota de 50% “é muito menor do que o necessário para termos condições de concorrência equitativas que devemos ter com o seu país”.

O presidente dos EUA reforçou o discurso de que a maneira para evitar as taxações é levar a produção e empresas brasileiras para dentro do território norte-americano. Ainda acrescentou que se o país buscar retaliar elevando suas tarifas de importação, a alíquota aplicada pelos norte-americanos será elevada em igual magnitude.

Ademais, Trump disse que vai orientar o USTR (representante comercial dos Estados Unidos), Jamieson Greer, a iniciar uma investigação sobre o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

Ao ser incluído na lista de observação, o país é avaliado se violou algum acordo comercial, de modo que, se contastada irregularidade, os EUA podem iniciar procedimentos junto da OMC (Organização Mundial do Comércio) ou aplicar novas sanções.

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“Se você deseja abrir seus mercados comerciais até então fechados para os Estados Unidos e eliminar suas políticas e barreiras comerciais tarifárias e não-tarifárias, talvez consideraremos um ajuste nesta carta. Estas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo da nossa relação com o seu país”, concluiu.

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Após o anúncio oficial, a cotação do dólar futuro disparou.

Trump já havia dito mais cedo que anunciaria a tarifa contra o Brasil ao conversar com repórteres na Casa Branca. “O Brasil, por exemplo, não tem sido bom para nós, nada bom”, disse o presidente dos EUA.

Chefiando o posicionamento do governo brasileiro sobre a tensão comercial, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), avaliou, após o comentário inicial do republicano, que a cobrança seria injusta.

“Eu não vejo nenhuma razão para aumento de tarifa em relação ao Brasil. O Brasil não é problema para os Estados Unidos. Então, é uma medida que em relação ao Brasil é injusta e prejudica a própria economia americana”, disse Alckmin.

 

 

Fonte: CNN