7 de março de 2026 04:18

Deep plane facelift: a cirurgia plástica que ganhou fama por resultados surpreendentes e aparência natural

É difícil encontrar quem não tenha se surpreendido com a recente aparição de Kris Jenner, que, aos 69 anos, exibiu o rosto visivelmente rejuvenescido. Muito se falou sobre qual teria sido a intervenção estética feita pela matriarca do clã Kardashian para atingir tal resultado. A empresária revelou que o responsável pela mudança foi o cirurgião plástico nova-iorquino Steven Levine, responsável pelo primeiro facelift feito por ela há mais de uma década e conhecido por suas técnicas avançadas de lifting facial com foco em resultados naturais. Apesar de não ter admitido que tenha passado por um segundo facelift, essa é a grande especulação.

Durante décadas, o lifting facial carregou a fama de produzir resultados artificiais: pele excessivamente repuxada, expressões congeladas e cicatrizes visíveis. Esse imaginário, porém, vem sendo transformado por uma abordagem mais sofisticada, batizada de deep plane facelift. A técnica atua em camadas profundas da face, promovendo um reposicionamento estrutural mais amplo, capaz de suavizar os sinais do tempo sem comprometer a identidade facial do paciente. Esse novo método reforça a busca por mudanças estéticas cada vez menos perceptíveis — movimento que especialistas vêm chamando de “a era dos procedimentos indetectáveis”.

 

Deep plane facelift: a cirurgia plástica que ganhou fama por resultados surpreendentes e aparência natural

 

O que é o deep plane facelift?

 

Diferente dos liftings tradicionais que atuam apenas na pele ou no SMAS (camada superficial muscular), o deep plane atua em um plano ainda mais profundo da anatomia facial. Ele reposiciona músculos e compartimentos de gordura, além de liberar ligamentos que mantêm a fáscia presa à estrutura óssea, permitindo um reposicionamento tridimensional do rosto. “Isso significa que não se trata apenas de ‘puxar’ a pele, mas de realinhar toda a estrutura que dá sustentação ao rosto”, explica o médico André Maranhão, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Qual a diferença entre o deep plane facelift e um facelift tradicional?

 

“Essa técnica confere um resultado mais natural porque a pele não é tensionada com exagero. Reposicionamos os tecidos profundos, o que confere um aspecto de beleza e juventude ao rosto”, explica o cirurgião plástico Marcelo Araújo, membro do corpo clinico do Hospital Israelita Albert Einstein. As incisões são discretas, posicionadas ao redor das orelhas e, eventualmente, sob o queixo – um dos grandes diferenciais da cirurgia, já que as cicatrizes ficam quase imperceptíveis. “O facelift é o único tratamento que atua em todas as camadas do envelhecimento: pele, músculos, gordura e até, em alguns casos, o contorno ósseo”, explica Araújo.

Para quem o procedimento é indicado?

 

Embora a faixa etária mais comum vá dos 45 aos 70 anos, a indicação é baseada no grau de envelhecimento e na qualidade das estruturas da face. “Já operei pacientes com menos de 40 anos com envelhecimento precoce e outros com mais de 70 em excelente saúde”, relata Maranhão. “Analisamos as necessidade de acordo com a década de vida”, complementa Marcelo Araújo. Mesmo pacientes que fizeram preenchimentos ou fios de sustentação anteriormente são candidatos ao procedimento — embora, em alguns casos, seja necessário remover ou dissolver os produtos injetáveis previamente. “É muito frequente que, durante a cirurgia, retiremos excessos desses produtos para devolver o contorno adequado do rosto”, afirma.

Como é feita a cirurgia do deep plane facelift?

 

O procedimento é realizado em ambiente hospitalar, sob anestesia geral ou sedação com anestesia local, conforme avaliação do cirurgião. A operação pode durar entre quatro e seis horas, tempo que pode se estender se forem realizados procedimentos complementares, como blefaroplastia (remoção do excesso de pele e gordura das pálpebras) ou lipoenxertia (transferência de gordura de uma área do corpo para outra).

“Utilizamos técnicas de sutura delicadas e um planejamento cirúrgico detalhado para garantir não só bons resultados estéticos, mas também uma recuperação mais segura”, diz Maranhão. “As cicatrizes do deep plane são menores e posicionadas em locais estratégicos, como atrás da orelha e na borda anterior, ficando imperceptíveis entre cinco e seis meses”, afirma Marcelo Araújo. Outro diferencial é a durabilidade. “O resultado final aparece por volta do terceiro ou quarto mês e pode durar até 12 anos”, afirma o cirurgião, que reforça que o rejuvenescimento obtido é mais estável com o passar do tempo, especialmente quando comparado a técnicas que atuam apenas na camada da pele. “Os tratamentos não cirúrgicos, na maioria das vezes, são superficiais e têm menos eficácia nos tecidos profundos.”

O que esperar da recuperação?

 

Inchaço, hematomas e dormência são esperados nos primeiros dias. O retorno a atividades sociais leves ocorre em até duas semanas. “O resultado já é bom após um mês e melhora bastante até o terceiro mês”, afirma Araújo. Ele também destaca cuidados essenciais no pós-operatório: “Uma sugestão importante é a drenagem linfática nos primeiros sete a dez dias, pois ela ajuda na recuperação e na redução do edema, além do uso de faixas compressivas leves por algumas horas ao dia.” O repouso relativo é recomendado na primeira semana, com a paciente em home office ou com atividades leves dentro de casa.

Contra-indicações e riscos

 

Embora não haja contraindicações absolutas, alguns casos requerem atenção. “Pacientes tabagistas, com doenças autoimunes ou que fizeram muitos procedimentos injetáveis precisam de mais cuidado”, explica Araújo. A avaliação emocional também é fundamental: “Expectativas irreais ou instabilidade psicológica podem comprometer a satisfação com os resultados.” Sinais como dor intensa, assimetria, febre ou secreção na cicatriz devem ser comunicados imediatamente à equipe médica.

Quanto custa fazer um deep plane facelift?

 

Com valores que variam de R$ 60 mil a R$ 100 mil, o deep plane facelift é considerado um procedimento de alto custo por uma série de razões que vão além do resultado estético: a técnica atua em camadas profundas da face, exigindo conhecimento anatômico refinado e alto nível de especialização por parte do cirurgião. Por ser uma cirurgia mais complexa, o tempo em centro cirúrgico costuma ser maior, o que encarece também os custos hospitalares e da equipe médica envolvida. Além disso, poucos profissionais no mundo dominam essa abordagem com excelência. O paciente obtém resultados mais naturais, duradouros e com menor necessidade de retoques ou preenchimentos futuros, o que agrega ainda mais valor ao procedimento

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Fonte: Vogue
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