6 de maio de 2026 16:46

Rússia e Ucrânia concordam com corredor humanitário e 3ª rodada de negociações

 

Após uma nova rodada de negociação entre Rússia e Ucrânia, que ocorreu em Belarus nesta quinta-feira (3), houve avanço na viabilidade de corredores humanitários e de um cessar-fogo em torno deles, segundo o principal negociador russo, Vladimir Medinsky, descrevendo-o como “progresso substancial”.

Apesar do avanço, o encontro terminou sem os “resultados que a Ucrânia precisa”, afirmou um membro da comitiva ucraniana. As delegações concordaram em mais uma rodada de negociações, que deve ser marcada para o início da próxima semana.

“A segunda rodada de negociações terminou. Infelizmente, os resultados que a Ucrânia precisa ainda não foram alcançados. Há uma solução apenas para a organização de corredores humanitários”, disse o assessor presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak em um tweet.

Também nesta quinta, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que os soldados continuarão avançando na Ucrânia e que seus alvos estão sendo atingidos. Putin também declarou que os militares russos não estão impedindo a saída de civis, rebatendo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

 

 

Anteriormente, a delegação ucraniana também havia divulgado que um cessar-fogo imediato e um armistício estavam entre os principais pontos levados para o encontro.

A primeira conversa entre as delegações após o início dos ataques ocorreu na segunda-feira (28) e teve duração de cinco horas, mas terminou sem um avanço. Na terça-feira (1º), Zelensky disse que a Rússia deveria parar o bombardeio de cidades ucranianas antes que um acordo ocorresse.

Os ataques continuaram nesta quinta-feira (3), assim como a proximidade das tropas russas da capital.

Segundo o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, os russos estão “parados” para um reagrupamento antes de uma possível invasão da capital, ou enfrentando desafios como falta de suprimentos ou resistência de civis.

Os russos assumiram o controle de Kherson, uma cidade estrategicamente importante em uma enseada do Mar Negro com uma população de quase 300 mil habitantes. O prefeito de Kherson, Ihor Kolykhaiev, declarou na quarta-feira (2) que os militares da Ucrânia não estão mais na localidade e que seus habitantes devem agora cumprir as instruções de “pessoas armadas que vieram para a administração da cidade.”

 

Sanções aos “companheiros de Putin e seus familiares”

 

A Casa Branca anunciou nesta quinta-feira (3) novas sanções aos oligarcas russos. Segundo o boletim divulgado, sofrerão consequências “companheiros de Putin e seus familiares”.

Os nomes listados serão cortados do sistema financeiro dos EUA, seus ativos nos EUA serão congelados e suas propriedades serão bloqueadas para uso.

Haverá ainda sanções de bloqueio total a oito elites russas, além de seus familiares e associados. Além disso, os EUA também colocarão restrições de visto a 19 oligarcas e 47 de seus familiares e associados próximos.

Essa medida terá como alvo os oligarcas “conhecidos por dirigir, autorizar, financiar, apoiar significativamente ou realizar atividades malignas em apoio à política externa desestabilizadora da Rússia”.

Brasil concede visto humanitário a ucranianos

 

Uma portaria publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta quinta-feira (3) e assinada pelos ministros das Relações Exteriores, Carlos França, e da Justiça, Anderson Torres, autoriza a concessão de visto humanitário para ucranianos.

A medida foi estabelecida em razão do conflito armado que ocorre há oito dias na Ucrânia. Segundo a portaria, a autorização se estende a quaisquer ucranianos que desejem vir ao país.

O visto valerá por 180 dias e, durante esse período, os beneficiários podem requisitar autorização para residência –que poderá ter período determinado de até dois anos ou período indeterminado.

 

Zelensky: Tenho medo da Ucrânia não existir mais

 

Em uma entrevista coletiva na capital ucraniana, Volodymyr Zelensky afirmou que apoia sanções do ocidente contra a Rússia, mas pediu mais apoio à Ucrânia, especialmente em relação ao bloqueio do espaço aéreo, para ampliar respostas contra os ataques.

O presidente também afirmou “ter medo” da Ucrânia “não existir mais” caso não haja uma solução diplomática para a crise, e também opinou que outros países anteriormente soviéticos podem ser os próximos alvos da política externa de Putin.

“Nosso povo é muito especial. Não quero vê-lo destruído. Quero ver os ucranianos sobreviverem na História. Não quero que se tornem a lenda dos 300 como os espartanos. Quero paz”, declarou.

Para Zelensky, o objetivo de Putin é “colocar uma nação de joelhos”. Segundo ele, tropas russas estão impedindo cidadãos de saírem de Kherson recentemente dominada, e as cidades estão ficando sem acesso à energia, comida e suprimentos a fim de estimular que ucranianos migrem para a Rússia.

Em seu último vídeo no Facebook, Zelensky afirmou que a Ucrânia não tem “nada a perder além de nossa própria liberdade”, acrescentando que o país está recebendo suprimentos diários de armas de seus aliados internacionais.